Enquanto Profissional do Desenvolvimento Pessoal, dedico-me muito à observação e à escuta ativa, não só das pessoas que me procuram enquanto profissional, mas também das pessoas que estão à minha volta em outros contextos mais informais. Há algo que tem vindo a chamar a minha atenção especialmente depois de estudar e praticar de forma mais consistente os conceitos e técnicas da Programação Neurolingística.

É natural que as pessoas nos procurem numa condição mais frágil, mais vulnerável e até mais susceptíveis à nossa intervenção e ao nosso parecer da situação em si! Quando alguém nos procura com uma questão, um problema, um desafio, uma dificuldade… na verdade, seja o que for que a traga à sessão/consulta, há uma espécie de esperança e crença em que a situação melhore e se resolva! É legítimo… todos nós passamos por isto! O que na minha humilde opinião deve existir por parte do profissional é uma abstenção de declarações como “tu tens isto!; o teu problema é X; Pois, estás assim porque Y; Se fizesses isto ou aquilo…; O que te vai fazer bem é isto; Tu precisas mesmo é de X…”, e muito mais poderia acrescentar! Estamos constantemente à mercê de programações boas e menos boas… cada declaração que ouvimos, uma notícia, uma publicidade, é uma programação… ora, se aos nossos clientes/pacientes tivermos que fazer algum tipo de “programação” que esta seja positiva, possibilitadora e de preferência isenta de imposição de conteúdos que são nossos!

Cada profissional na sua área dará o seu parecer e fará o melhor que sabe, é certo! Lembremo-nos apenas, que está uma pessoa à nossa frente com uma história que não conhecemos, com crenças e padrões que não conhecemos, com uma vida que não vivemos! Tenhamos a consciência de que às vezes, e com a melhor das intenções, podemos estar a impor conceitos que são nossos!

Qual a melhor forma então de ajudar a pessoa que está à nossa frente? Fazendo perguntas! Boas perguntas que permitam a pessoa chegar à sua melhor solução! Porque de facto, as maiores e melhores respostas estão e estarão sempre dentro de cada um! Se isto tudo é um paradoxo? Sim! E a vida é uma dança constante entre paradoxos e contradições… que possamos dançar da melhor forma possível, proporcionando a quem nos procura, a transformação, a evolução, a cura, a superação, a descoberta de potenciais e a alegria de viver, sem ferir a sua individualidade, a sua história…!

Nem sempre se consegue ser exímio nesta tarefa, e eu conhecendo várias outras ferramentas carregadas de padrões e conteúdos, utilizo-as também sempre com a consciência e cautela de que são potenciais padrões que podem ou não fazer sentido! Partilho isto mesmo com os clientes!

Na nossa vida pessoal damos asas às nossas opiniões e palpites na vida de quem nos é querido… mas mesmo aí, sugiro-te que reflitas um pouco e com prudência faças o melhor que sabes! Quantas vezes ouço afirmações do tipo: “tu és mau”, “tu fazes sempre a mesma coisa”, “não há solução para ti, não há paciência!”, “ele é assim, nunca vai mudar”, “tu precisas mesmo é de fazer a terapia X que te vai salvar”… Vale a pena refletir sobre a programação que estamos a fazer a quem ouve isto… e questionar a própria programação!

Quando dizemos por exemplo, que as pessoas que julgam os outros são más pessoas, é mau julgar os outros… (“Detesto pessoas que julgam os outros, isso é do pior”) também nós estamos a fazê-lo! Ora aqui está mais um belo paradoxo…!

 

Votos de boas práticas profissionais a todos/as colegas nas diversas áreas e que possamos cada vez mais, realizar um trabalho limpo, íntegro e ecológico! Este artigo é para ti e é para mim!

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